10 de maio de 2010

Coleção de tendências culinárias 2010…

Arquivado em: cozinha moderna brasileira — Tags:, — Roberta Sudbrack @ 13:22

Hoje lançamos, como fazemos há 5 anos, mais uma coleção de tendências culinárias do RS. Mas o que significa isso? Provavelmente você está se perguntando. Significa que hoje é o dia mais louco das nossas vidas! Desde sexta-feira estamos rodando a cidade, a serra e o campo. Conversando com nossos fornecedores, pescadores e colaboradores a procura de uma só coisa: sabores.

Nesse dia nos entregamos ao adorável exercício do delírio. È o dia em que a criação está livre. Tudo pode, tudo é permitido, toda loucura não só é perdoada como ansiosamente esperada. Entramos na cozinha, olhamos os ingredientes, pensamos, sorrimos – ora de alegria, ora de nervoso! – refletimos e cozinhamos.

Cozinhamos sem o menor compromisso com a realidade ou com a coerência. Cozinhamos para brincar. Tocamos nos ingrediente, cortamos, cheiramos, assamos, desidratamos, penduramos em cima do forno e amassamos entre duas folhas. Jogamos para o alto e avaliamos os danos da queda. Cortamos e deixamos pedaços espalhados por lugares diferentes da cozinha: um perto do forno, outro dentro da câmera fria, outro na bancada perto da janela onde em alguns momentos do dia bate sol. Enfim, coisas tão loucas quanto essas e outras maiores ainda! Porque sabemos que muitas vezes a chave para alguma descoberta fascinante, pode estar no absurdo. Nesse dia estamos abertos a tudo.

Apesar dessa anarquia consentida, a coleção tem sempre um tema e uma linha de condução. Já nos inspiramos em Proust e embarcamos numa deliciosa viagem em busca do tempo perdido. Já nos inspiramos em Rolland Barthes e nos enrolamos nas teias dos seus adoráveis fragmentos de discursos amorosos. Esse ano a coleção buscará referências no sertão de Guimarães Rosa, no tropicalismo de Caetano Veloso e no modernismo de Tarsila do Amaral e se chamará: ‘Divino, maravilhoso!’ E a teia que propiciará essa conectividade será preparada com casca de banana! O elemento que escolhemos esse ano para explorar, estudar, investigar e acima de tudo, melhor compreender.

Nesse dia a entrega é mais uma vez fundamental, não só a nossa dentro da cozinha, como a do comensal fora dela. Que fique claro que, como num desfile de modas, não quer dizer que tudo o que for servido hoje efetivamente entrará no menu. Hoje é dia de experimentação, de devaneios e de absoluta liberdade de expressão. Alguns pratos já existem, eventualmente já foram servidos no restaurante nessa temporada e hoje serão oficialmente lançados. Outros sequer têm ideia de que virão ao mundo. Vai depender de nós, do nosso olhar, da nossa sensibilidade e da nossa capacidade de enxergar a magnitude escondida numa simples casca de banana…

Dedos cruzados. Torçam por nós. Transmitirei ao vivo – na medida do possível porque tenho que admitir que nesses dias fico mais nervosa do que de costume! – através do meu twitter durante o dia inteiro www.twitter.com/robertasudbrack  para que você possam se sentir parte dessa divina e maravilhosa loucura!

Até!

30 de abril de 2010

Eu nunca quis ter um restaurante…

Arquivado em: Cotidiano — Tags:, — Roberta Sudbrack @ 17:52

A princípio o título de hoje pode chocar quem não estiver disposto a ler o resto do texto. Na vida também é assim, muitas vezes a primeira impressão é péssima e quando não há interesse mútuo na chamada segunda chance pode-se perder muito. Ou não. Depende de cada um. Depende do que cada um quer!

Eu realmente nunca quis ter um restaurante, eu sempre quis ter uma casa. Casa é o lugar pra onde a gente sempre quer ir. É lá que a gente pode usar camiseta velha e furada. Eu sempre me pergunto cada vez que visto uma: será tem algo melhor na vida? Em casa a comidinha está sempre em cima do fogão. É verdade que na minha época de escola, a minha avó, cuidadosa que só, deixava o meu prato todo arrumadinho dentro do forno morno. Certamente hoje em dia diriam os moderninhos se tratar de uma espécie de câmara de ar quente! Mas era só afeto.

Casa é afeto. Casa é conforto, mas conforto lá tem a ver com excesso? Conforto tem a ver com bem estar. Bem estar tem a ver com cuidado. E cuidado tem a ver com afeto. Logo, tudo começa e termina no afeto.

Afeto desde a escolha dos ingredientes que serão servidos. Até a  definição da forma de servi-los. Nesse caso o afeto é extensivo aos próprios ingredientes, já que o respeito, pelo menos o verdadeiro, normalmente também é recheado de afeto. O afeto nas relações, no comprometimento da causa que cada um carrega com orgulho estampado no peito. O afeto do servir. Esse eu considero o mais importante de todos. Sempre digo para o meu pessoal: “Somos serviçais, entrar pela porta dos fundos e usar o banheiro da área de serviço tem que ser uma coisa natural para nós. Caso contrário, não conseguiremos servir com afeto.”

Outro dia escutei de alguns entendidos no assunto a seguinte definição sobre o que vem a ser um botequim: “Botequim é aquele lugar aonde as pessoas vão pra se sentir em casa.  É aquele lugar aonde o dono conhece as pessoas pelo nome e sabe do que elas gostam ou não gostam. Botequim é aquele lugar aonde o dono chega cedo e sai tarde, está sempre lá, sabe onde está sujo e precisa limpar e conhece as pessoas que trabalham com ele pela respiração.” Aí eu pensei: “Eu tenho um botequim!” Que bom, já que eu nunca quis ter um restaurante!

Até!

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