Então é natal. E aí? O que muda? Continuo trabalhando feito uma condenada. Correndo de um lado para o outro, me preocupando com o frescor do peixe, da verdura, das ervas. Continuo batendo ponto regularmente na minha bancada de comandas, gritando com os meus cozinheiros até levá-los à loucura – quem resiste cria casco e se torna forte! – afinal, para que servem os Chefs senão para isso?
Continuo pensando nas receitas mesmo quando pego no sono…Essa noite sonhei com bananas que prometiam me assassinar caso não fossem o ingrediente escolhido para os nossos estudos em 2010. Será? Ora, não me venham com essa suas…bananas! Vivo no Rio de Janeiro, paro em sinais na madrugada, caminho nas ruas, enfrento cobras e lagartos! Vou lá ter medo de…bananas?
Mas acabei me perguntando, por que será que as pobres bananas não são lembradas no natal? Esse sonho me fez pensar mais atentamente nesses “seres” chamados…bananas! Por que será que nem sempre estão nos menus dos restaurantes? Tirando alguns casos de sucesso e tradição como o moderníssimo cherne com bananas da Avó do Claude Troisgros, que está no menu da Maison Troisgros há anos. Porque será que as bananas só são lembradas quando o assunto é doce em calda? Alguém já parou para pensar na casca? Nas sementes? Na gelatina natural das bananas? E porque não pensar numa rabanada de bananas nesse natal falando nisso?
Nem sei por que me enveredei por esse bananal? Provavelmente no final do sonho encanto discutia com as bananas assassinas escorreguei numa casca. Só pode ser. Quanto ao ingrediente do ano, nada confirmado até agora. Ainda estamos em fase de reflexão. E por falar nela, já que é natal e o sentido do mesmo – pelo menos na minha humilde opinião de cozinheira – anda se perdendo a cada dia, porque não dar de presente a ideia da reflexão? Pacotinhos, bem bonitinhos, recheados de doce de banana – de novo, Chef? – e um bilhetinho com o seguinte escrito: Refletir, usar sem moderação!
Sobre o que quiser! Tem presente mais democrático do que esse? Sobre o que der vontade! Do jeito que quiser. Dentro do carro, do ônibus, do metrô, na loucura da cozinha! De ipod, sem ipod. Com um livro, sem um livro. Bebendo um bom vinho. Aí é perigoso, porque reflexão com doses de álcool a mais pode virar papo cabeça daqueles bem chatos. E isso no natal ou fora dele é um saco. Mas refletir sobre o que passou, sobre o que se construiu ou vai construir vale. Refletir de pernas para o ar numa praia deserta…pera aí, isso não é mais reflexão, já virou sonho de consumo! Com bananas? Será?
Um natal repleto de reflexão para vocês que fazem da minha vida algo mais saboroso a cada ano que passa!
Até!