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Os mangaritos alucinógenos…parte II

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Todo mundo sabe que eu tenho uma veia meio novelística… Pena não estar conseguindo acompanhar nenhuma novela ultimamente. Morro de inveja dos clientes que ligam para o restaurante e dizem: “Vou me atrasar porque não quero perder o capítulo de hoje da novela das 8!” Acho o máximo ver novela. Como não vejo, invento as minhas!

Era para encerrar o assunto dos mangaritos, afinal, que mocinhos mais assanhados! Já não bastava o Maestro Zubin Metha ter experimentado, gostado e pedido para repetir? Ainda tinham que virar personagens de uma crônica da Cora Rónai? Estão muito saidinhos para quem estava correndo o risco de desaparecer da face da terra, não estão?

Mas não sei se, nessa mania de comer casquinha de mangarito assim que saem do forno – o aroma de café e chocolate é uma coisa sensacional – não acabei comendo outro que era alucinógeno? Ou se, inspirada nos devaneios dos comentários das pessoas que não comeram um mangarito alucinógeno, mas também acabaram viajando nessa história, criei outra!

Ao chegar à agência dos correios minha gerente identificou-se como a representante legal do RS que teria vindo para libertar os mangaritos. Imediatamente as atendentes se entreolharam e apertaram um pequeno botão que fica atrás do balcão. Segundos depois apareceram dois policiais e o motorista do carro batido. Esse literalmente atordoado. Os policiais pediram para que a minha gerente os acompanhasse até uma salinha reservada. Ela foi. Chegando lá pediram para o motorista relatar o acontecido durante o trajeto. Ele relatou aos berros, desesperado e ao final sentenciou: “São uns delinqüentes! Perigosos! Gritam muito” Os policiais perguntaram se ela tinha certeza de que queria libertá-los, se não seria melhor devolvê-los ao interior de São Paulo de onde vieram? Minha gerente imediatamente disse que não! Eles estavam sendo esperados com ansiedade por uma multidão! “Multidão?” Perguntaram os policiais? “Como assim? Essas coisinhas feias e gritonas?” Sim, ela respondeu. “São astros! Amigos do Maestro Zubin Metha! Estão até no jornal, os senhores não viram? São personagens de uma crônica da Cora Rónai no jornal O Globo do dia 27 de agosto!” Os policiais se entreolharam duvidando e então abriram uma janelinha, daquelas que só quem está de um lado enxerga e pediram para que ela fizesse o reconhecimento. “Então, me diga se esses, que a Senhora vê aí, são os tais astros que saíram na coluna da Cora Rónai e são amigos do Zubin Metha?” E riram. Minha gerente olhou uma vez, olhou outra; estava difícil reconhecer porque estavam todos de óculos escuros fazendo o tipo astro pop total. Mais precisamente todos usavam um rayban aviator rb 3025! Depois de algum tempo ela disse: “Sim senhor, esses mocinhos não são mais simples mangaritos que estão correndo o risco de extinção. Agora são cidadãos brasileiros e astros conhecidos, desacato é mantê-los presos nessa situação! A cozinha está à espera deles para o show de hoje à noite! Ainda tem que ensaiar!” Envergonhados os policiais mandaram libertar imediatamente a mangaritada, não sem antes pedir uns autógrafos e determinar a prisão imediata do motorista!

Com licença que agora está saindo uma fornada de casquinhas de mangarito e eu tenho que correr lá para comer algumas! Isso vicia!

Até!

São tantas emoções…

terça-feira, 21 de julho de 2009

A cada dia a natureza reserva uma surpresa diferente. Basta estarmos atentos e dispostos a tirar disso o melhor proveito. Trabalhar com o que a natureza me presenteia diariamente sempre foi um ponto inegociável para mim. Não posso me imaginar ligando para o pescador e dizendo: “Olha, hoje eu quero pargo!” Como assim? E se o mar não quiser te dar pargo hoje?

Prefiro ligar e dizer: “O que mar trouxe hoje?” Me parece mais condizente com a minha filosofia de trabalho, me mover conforme o balanço do mar. Respeitar as suas manias e vontades. Adequar-me às suas idiossincrasias! Não teimar com elas nunca!

Nessa caminhada de respeito e reverência acabo me deparando com cada tesouro…Fazia tempo que não chegava do mar a notícia de que teríamos cherne de gralha amarela. É uma espécie de cherne mais rara, de carne muito branca, adocicada e maravilhosamente entremeada de gordura. Uma iguaria. Talvez quem frequente o meu restaurante não tenha tido a chance de degustar esse peixe muitas vezes, tamanha é a dificuldade de encontrá-lo. Mas certamente quem teve essa raríssima chance deve se lembrar, porque é de uma delicadeza incomum.

Hoje recebi a notícia de que o peixe que teríamos para o jantar seria esse. É tão emocionante saber que teremos a oportunidade de trabalhar com uma carne tão especial! Fico imaginando a expectativa da minha equipe para saber quem será o sortudo que irá trabalhar na praça do peixe hoje? Também fico emocionada de pensar que serviremos uma iguaria tão singular para os nossos clientes simplesmente porque permitimos nos guiar pela natureza. Logo, ela nos presenteia com uma coisa dessas…

São tantas emoções…Essa semana também recebo a minha primeira remessa de mangarito. A minha expectativa é a mesma de uma criança que acha que vai ganhar uma bicicleta, mas ainda não tem tanta certeza disso. Então sonha uma noite atrás da outra com a dita cuja. Qual será a cor? O modelo? Que dia vai chegar? Será que vai chegar?

O Rei tem razão, são tantas emoções…

Até!