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	<title> &#187; criação</title>
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		<title>A criação é anárquica!</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 20:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sudbrack</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[emoção]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma pergunta que adoram me fazer – e que eu confesso, detesto responder – é sobre como é o meu processo criativo? Ora, que tipo de pergunta é essa? Quem é que acorda, escova os dentes, se espreguiça, toma café da manhã e cria? Nessa ordem e nessa sequência? Ou que seja na ordem contrária? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pergunta que adoram me fazer – e que eu confesso, detesto responder – é sobre como é o meu processo criativo? Ora, que tipo de pergunta é essa? Quem é que acorda, escova os dentes, se espreguiça, toma café da manhã e cria? Nessa ordem e nessa sequência? Ou que seja na ordem contrária? Na sequência inversa? Quem é que é capaz de definir: hoje eu vou criar, amanhã também, mas depois de amanhã não! Quem tem controle sobre esse monstro adorável chamado criação que levante o dedo agora!</p>
<p>Eu não tenho e digo mais, acredito que metade da graça se perderia se tivesse. Criação não vem com hora marcada, vem sempre na hora errada. Aí está a sua grande graça, faz parte do seu charme. É sempre naquele momento que a gente não está esperando, não está perto das panelas ou não tem os ingredientes à mão. Ou não, às vezes vem exatamente na hora em que colocamos as mãos neles mas não temos tempo de lhes dar a atenção necessária. Exatamente aí está a grande loucura e o grande barato da criação. A criação é anárquica graças a Deus!</p>
<p>Ela pode estar nos detalhes ou na falta deles. Pode estar na inspiração ou na falta dela. A criação é soberana de nada depende a não ser de uma coisa: o momento. O momento em que tudo se clareia, a energia flui e a emoção fala mais alto. Esse momento é único, é lúcido e absolutamente pessoal. Como escova de dente. Alguém sai por aí perguntando como é a sua escova de dente?</p>
<p>Até!</p>
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		<title>Feito a mão&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 19:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sudbrack</dc:creator>
				<category><![CDATA[cozinha moderna brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[RS]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho pratos rondando a minha mente. Acordo sentindo sabores, revendo cores, acertando texturas. Aqui falta, aqui tem demais, ali pesa, lá pode, aqui não. Um prato é construção de uma expressão, e em minha opinião ela tem que ser precisa, clara, tranquila. Não acredito em construções que se apoiam em elementos demais. Gosto do minimalismo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho pratos rondando a minha mente. Acordo sentindo sabores, revendo cores, acertando texturas. Aqui falta, aqui tem demais, ali pesa, lá pode, aqui não. Um prato é construção de uma expressão, e em minha opinião ela tem que ser precisa, clara, tranquila. Não acredito em construções que se apoiam em elementos demais. Gosto do minimalismo e da exatidão. Sabores marcantes, verdadeiros, convictos.</p>
<p>Convicção é uma palavra forte. Gosto dela. Convivo com ela. Luto por ela. Esses pratos que andam rondando a minha cabeça são delicados, autoconfiantes e desafiantes! Não há desafio maior no mundo de hoje que optar pelo artesanal. Palavra forte também. Simples, poética, exata. Quer dizer simplesmente: feito a mão. E o que mais interessa? Feito a mão diz tudo, projeta tudo, conclui tudo. Expressa tudo.</p>
<p>Outro dia assistindo a um documentário sobre a vida de Coco Chanel, caí num choro profundo no momento em que ela proíbe completamente as máquinas de costura e decide que dali em diante tudo será feito a mão. Os detalhes, os acabamentos, as texturas, tudo estará a partir de então permeado pela energia intensa e necessária das mãos. Depois disso tenho pensado demais. Repensado também. Sofrido muito mais.</p>
<p>Meus pratos não têm conseguido o espaço necessário para deixar a minha mente e assumir o seu lugar no mundo. Não têm encontrado a tolerância necessária para a expressão precisa. Seu preparo, sua concepção e execução não se encaixam na correria que hoje em dia atende pelo nome de: refeição. Na visão dos meus pratos uma refeição precisa de cadência. De respiração, entrega e contemplação. O tempo é efêmero. Pode parecer muito, pode parecer pouco, a contemplação não impõe regras.</p>
<p>Restaurantes, a história comprova, sempre foram lugares onde as pessoas procuraram restauração. Não é a toa que os primeiros que se tem notícia vendiam apenas sopas restauradoras. Restaurar, degustar, sentir, vivenciar. Nada disso combina com o ritmo que a vida hoje nos impõe. O artesanato necessita sentir o tempo. O tempo necessário à sua confecção, a sua existência e finalmente à sua expressão verdadeira. É uma proposta, uma tentativa de escapar das ciladas que o ritmo da nossa vida hoje nos impõe. Uma chance.</p>
<p>Danúsia Barbara, crítica gastronômica que eu muito respeito, certa vez ao me escolher como melhor chef do Rio de Janeiro, disse essa frase: “ Mas não é todo mundo que entende o seu artesanato.” Isso sempre volta à minha mente. Dia após dia, noite após noite, quando clamamos pelo ritual, pelo tempo, pela tolerância. O ritual não é um aprisionamento. É uma chance que cada um pode ou não se dar. Não somos nós que decidimos isso. É a vida que passa.</p>
<p>Até!</p>
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