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	<title> &#187; cozimentos</title>
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		<title>Cozimentos&#8230; ainda os assados, modernos pero no mucho&#8230; Parte III</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 21:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sudbrack</dc:creator>
				<category><![CDATA[cozinha moderna brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[cozimento a vácuo]]></category>
		<category><![CDATA[cozimentos]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Partindo da tormenta anterior, o que mais me assusta é o fato de alguns estudantes hoje em dia já saírem da universidade com uma única ideia, uma única possibilidade ou solução para algumas coisas. No quesito cozimento, o vácuo parece ser uma unanimidade. Nada me apavorou tanto quanto o dia em que recebi um estudante de gastronomia no meu restaurante para jantar e no final, aparentemente maravilhado com a textura do ossobuco de vitelo, ele sentenciou: “só pode ter sido preparado no vácuo.” </p>
<p>Eu deveria ter respondido: “Como assim? Desde quando a maciez está sentenciada a uma só forma de preparo? Quem foi que te ensinou isso?”. Mas, como meu avô sempre me ensinou, existem situações e situações. Preferi então sorrir e dizer: “Nesse aspecto eu sou mais antiga”. E me retirar parecendo uma velhinha ultrapassada. Ainda hoje posso rever o semblante dele me olhando perplexo, confuso, praticamente a vácuo.</p>
<p>Volto a dizer, não sou contra a evolução. Desde que ela seja coerente e não venha impregnada com a síndrome da verdade absoluta. Pensar é fundamental. Experimentar também, todas as formas, todas as possibilidades, se apropriar do conhecimento, para só então decidir o melhor caminho. A melhor maneira de expressar esse sentimento que está diretamente ligado ao ato de cozinhar.</p>
<p>Foi assim que outro dia vivenciei uma das cenas mais emocionantes da minha vida. Tão moderna, mas nem tanto. Entrei na cozinha para tomar um cafezinho fora de hora e encontrei a minha avó trocando ideias com a Renata. As duas estavam assando sobrecoxas de frango, ou como nós costumamos chamar mais poeticamente no Rio Grande do Sul, o “Santo Antônio”. Haviam assado primeiro no forno grande numa travessa, tampadas com papel alumínio por um bom tempo em temperatura bem baixa. Naquele momento a minha avó dava instruções – a Chef! – para que a Renata aquecesse o forninho &#8211; aquele que a gente usa para fazer torradas e misto quente expresso na madrugada – e passasse então as sobrecoxas para lá. Perguntei o porquê daquele ritual e minha avó me respondeu: “Ora, porque no forno baixo ela vai assar devagarzinho até ficar bem tenra e depois no forninho a pele vai ficar bem dourada e crocante.” </p>
<p>Sorri por dentro e por fora. Estava diante de mim a prova de que o pensamento é fundamental e tem o seu lugar garantido na história. Na minha, na sua e na da gastronomia. Agora, como cada um vai decidir como será o seu assado, é outra história.</p>
<p>Até!</p>
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