A cada dia a natureza reserva uma surpresa diferente. Basta estarmos atentos e dispostos a tirar disso o melhor proveito. Trabalhar com o que a natureza me presenteia diariamente sempre foi um ponto inegociável para mim. Não posso me imaginar ligando para o pescador e dizendo: “Olha, hoje eu quero pargo!” Como assim? E se o mar não quiser te dar pargo hoje?
Prefiro ligar e dizer: “O que mar trouxe hoje?” Me parece mais condizente com a minha filosofia de trabalho, me mover conforme o balanço do mar. Respeitar as suas manias e vontades. Adequar-me às suas idiossincrasias! Não teimar com elas nunca!
Nessa caminhada de respeito e reverência acabo me deparando com cada tesouro…Fazia tempo que não chegava do mar a notícia de que teríamos cherne de gralha amarela. É uma espécie de cherne mais rara, de carne muito branca, adocicada e maravilhosamente entremeada de gordura. Uma iguaria. Talvez quem frequente o meu restaurante não tenha tido a chance de degustar esse peixe muitas vezes, tamanha é a dificuldade de encontrá-lo. Mas certamente quem teve essa raríssima chance deve se lembrar, porque é de uma delicadeza incomum.
Hoje recebi a notícia de que o peixe que teríamos para o jantar seria esse. É tão emocionante saber que teremos a oportunidade de trabalhar com uma carne tão especial! Fico imaginando a expectativa da minha equipe para saber quem será o sortudo que irá trabalhar na praça do peixe hoje? Também fico emocionada de pensar que serviremos uma iguaria tão singular para os nossos clientes simplesmente porque permitimos nos guiar pela natureza. Logo, ela nos presenteia com uma coisa dessas…
São tantas emoções…Essa semana também recebo a minha primeira remessa de mangarito. A minha expectativa é a mesma de uma criança que acha que vai ganhar uma bicicleta, mas ainda não tem tanta certeza disso. Então sonha uma noite atrás da outra com a dita cuja. Qual será a cor? O modelo? Que dia vai chegar? Será que vai chegar?
O Rei tem razão, são tantas emoções…
Até!