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Os jantares que não dei…

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cheia de novidades! Camelos, desertos, Bocuses e coisas mais. E tempo? Como valorizo esse senhor! Cada vez mais, cada minuto mais. Aproveitei cada segundo dessa escapada e fui imensamente feliz. Alguma coisa pode ser mais importante nessa vida? Acho que cheguei à conclusão de que não, definitivamente não tem nada mais importante na vida do que cozinhar, viajar e ser feliz! Dito isso, mesmo sem tempo estou aqui. Feliz!

Ainda não vai dar para contar tudo como gostaria, mas não poderia deixar de voltar nesse assunto: “Os jantares que não dei” Tema fascinante do livro da não menos fascinante Betina Orrico, que também foi tema de uma matéria, da qual tive a honra de participar ao lado da minha musa inspiradora Mari Hirata para a Folha de São Paulo: http://eaturl.info/2w4g Sempre que encontro a Mari tenho vontade de fazer uma reverência. Justa e merecida, diga-se de passagem, e faço!

A matéria ficou ótima, interessantíssima, mas, como hoje já entendo melhor dessa loucura que atende pelo nome de redação! Imagino os porquês de não terem incluído, não só toda a minha lista de convidados, como o menu que gostaria de ter servido à Antonin Carême cercada por essas pessoas, numa mesa única, sem toalha, embaixo de uma árvore bem gorda. Pois bem meus caros, e não é para isso que os blogs servem? Segue na íntegra toda a concepção do jantar, assim como o menu e a lista de convidados! Em primeiríssima mão. Demorei mas voltei com tudo, me aguardem!

Entrevista Folha de São Paulo

Pauta: Os jantares que não dei

Homenageado seria: Antonin Carême

Convidados seriam:

Claude Troisgros

Laurent Suadeau

Emanuel Bassoleil

Mara Salles

Ana Soares

Neide Rigo

Benny Novak

Carlos Doria

Janaína Rueda

Eliane André

Rodrigo Oliveira

Jonathan Nossiter

Renato Machado

Boni

Ambientação: Ao ar livre, uma mesa grande de preferência embaixo de alguma árvore.

Vinhos: Todos de terroir escolhidos pelo Jonathan Nossiter.

Menu

Tartare de abóbora

Filé curado em marmelada de maxixe

Quiabo defumado em camarão semicozido

Lagostim em lâminas de chuchu e leite de amendoim

Ravióli amanteigado de mangarito em três texturas

Porquinho de leite assado em baixa temperatura caseira

Chantilly de batatas

Tortinha de pêra e tapioca

Até!

Viva! Os mangaritos…

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Foi numa mesa, entre muita comida boa, admiração mútua, conversas e reflexões que eu conheci o mangarito. Não fosse a generosidade que permeia a cozinha moderna brasileira, talvez nunca o tivesse conhecido. Mara Sales se levantou, voltou com uma coisinha miúda e escura nas mãos e me disse: “Esse é o mangarito, mas já está bem sequinho, não dá para ter uma idéia da sua grandiosidade!”

Deu sim. No mesmo instante pirei, viajei, sonhei. Não sou de pedir receitas, acho que a única que pedi até hoje, foi a dos scoones da Ale! Acredito que as receitas são patrimônios das pessoas. Não me incomodo que me peçam, mas simplesmente não consigo pedir. Até tenho vontade, mas algo sempre me impede. Da mesma maneira não consigo pedir o contato de um fornecedor. Mas também não tenho o menor problema de dar, acho fantástico incentivar o conhecimento das coisas boas da nossa terra.

E foi assim também, sem pedir, que a generosa e genial Mara Sales, pesquisadora, chef, cozinheira de mão cheia, mulher apaixonada pela nossa cultura, me presenteou com o mapa do caminho das pedras para chegar até o mangarito. Foram meses de espera. Tanta expectativa! Tanta vontade de que realmente acontecesse!

Um belo dia eles chegaram finalmente à casinha laranja à beira do canal. Depois de ficarem perdidos durante quase uma semana nos correios! Eu já estava em cólicas, achava que esse tempo pudesse tê-los deteriorado. Que nada! São brasileirinhos! Cabras machos, sim senhor! Batalhadores!

Não fossem não estariam por aí até hoje nessa luta pela sobrevivência, íntegros e surpreendentes. Especiais, únicos e grandiosos. Tanto que valem a luta de um homem da terra, verdadeiro, sonhador, que devota os seus dias a não deixar que os mangaritos morram. Seu João Lino www-mangarito.blogspot.com, um batalhador. Um brasileiro genuíno e verdadeiro como os mangaritos.

Eu diria que ao final desse conto de fadas não poderia ser mais encantado. Depois de toda essa viagem, vindo lá do interior de São Paulo pelas mãos de um dos únicos homens que o cultiva anualmente com a merecida devoção. Depois dessa corrente generosa de troca e divisão que felizmente existe entre nós. Depois de algumas pesquisas, algumas descobertas fantásticas como o aroma e sabor de café e chocolate das suas casquinhas torradas. Depois de tanto sonho e tanta expectativa, hoje ainda teremos a alegria e a honra de servi-los a ninguém menos do que o grande Maestro Zubin Metha.

Um dia de glória para o mangarito e para a cozinha brasileira. Um dia de muita emoção para nós artesãos dessa encantada cozinha brasileira!

Até!

Livros…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Adoro livros. Compro tudo que acho pela minha frente que tenha a mínima relação com comida. Pode ser um parágrafo num livro, uma frase no outro, um livro inteiro de receitas ou receitas soltas por outro livro. Adorei fazer o inventário do tempo: livros, com a Bia Lessa.

inventario

O tempo dele passou, mas a saudade de tudo o que vivemos e dividimos por lá ainda reina soberana dentro de mim. Assim como certas passagens, de certos livros, que parecem ficar grudadas na alma da gente, sabe-se lá por quanto tempo.

As minhas estão quase sempre relacionadas à cozinha, sempre foi assim. Quando era pequena, mesmo antes de enveredar por esses caminhos, sempre me interessei mais por livros de receitas do que por gibis. Hoje dando uma olhada na minha pequena biblioteca repleta de tudo um pouco, me deparei com um livrinho engraçado: Receitas para gastrônomos requintados, inventadas e executadas por distintos artistas e escritores portugueses, edição portuguesa de 1994. Uma pérola!

E lá encontrei a seguinte receitinha que transcrevo na íntegra, correndo o risco de apenas o nosso querido Pedro Rui entender:

Bolos de milho

Amassa-se numa terrina o seguinte: 500g de farinha de milho, 500g de flor de farinha de trigo, 500g de manteiga fresca, 400g de açúcar cristalizado; logo que a massa não apresente grânulos, juntam-se duas colheres de mel e cidrão bem pisado, depois estende-se e corta-se em bolos(demais essa!), doiram-se com gema de ovo desfeita em água(essa também é poética) e vai ao forno a cozer com calor moderado(mas essa é a melhor!)

Que poesia! E que maravilha seria ter esses “bolos” de milho agora para tomar com cafezinho coado em coador de pano. E eu me pergunto encantada com o livrinho nas mãos, quem mais além deles detêm esse poder de nos fazer levitar por flores de farinhas e gemas desfeitas em água numa sexta-feira corrida?

Até!

Por falar em encontros…

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sejam para debater, sorrir, discordar, dividir uma mesa, discutir ou brindar, são sempre importantes e agregadores. Há sempre espaço para mais um. Foi essa a sensação que ficou ontem depois de nos despedirmos em frente ao lendário Aconchego Carioca, na praça da Bandeira.

Cada um pegou o seu rumo, a sua estrada, e seguiu o seu caminho. Mas como evitar a saudade que já se sente? A ideia de que poderia ter durado mais? As lembranças e sensações que ainda pairam na mente, na boca, no ar?

O reencontro. Os novos. Os muito antigos! Os desconhecidos. Os idolatrados! Os tímidos. Os falantes. Os polêmicos. Os sumidos. Todos eles. Todas as sensações, os olhares, a pulsação dos corações. Toda a alegria do encontro concentrada num só sabor: o da expectativa.

A expectativa do reencontrar! Quando será? Quando a vida e o universo conspirarão a favor disso novamente? Quando estaremos tão próximos a ponto de tocar um ao outro de novo? Quando as gargalhadas, essa música do encontro, voltarão a ser ouvidas?

Seja lá quando for que ela possa continuar tocando em nossas mentes, enquanto esse dia ainda não vem.

Até!

Navegar é preciso, encontrar e debater também.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cheguei de São Paulo hoje, estive por lá participando do ciclo de palestras que vêm acontecendo na livraria Cultura, intitulado “Entre estantes e panelas”. Interessantíssimo não só pela idéia, mas também, pelas mentes criativas e iluminadas que andam se encontrando por lá.

Falando em encontro, cada vez mais acredito que esse é o único caminho para a concretização desse “velho” sonho, que é ver a “nova” cozinha brasileira em lugar de destaque e referenciando alguns conceitos. Essa palavra tão singular e precisa, traduz bem o que ainda pode estar faltando de tempero nessa receita.

Possibilidade. Potencialidade. Junção. Conexão. União. Divisão. Pensamento coletivo. Troca. Dimensão. Posição. Explanação. Conseqüência. Consolidação. Tudo isso junto, separado, ao mesmo tempo ou em doses precisas, acaba no mesmo lugar. Onde nos encontramos? Seja onde for que haja o encontro.

Sem ele, nada do que de sensacional e único está acontecendo nesse momento nesse grande país, que é na verdade um mundo – em biodiversidade, riqueza de pensamento, fé e possibilidades -, poderá ser dividido, debatido, repensado, avaliado…reconstruído!

Muito mais interessante do que a chata desconstrução, estamos prontos, de mentes, panelas e vontade em punho, para uma linda, honrosa e saborosa reconstrução. Mais do que isso: para uma redescoberta da gastronomia brasileira. Navegar é sempre preciso. Encontrar também. E quem foi que disse que gosto não se discute?

Até!

Sensacional!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sensacional é uma palavra deliciosa. Aprendi com a Bia Lessa, que, aliás, está em cartaz com a peça – se é que a gente pode simplificar o termo assim, já que se trata de uma obra de arte na verdade – “Formas Breves” no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico. Imperdível. Sensacional!

Sensacional é uma palavra séria. Não combina com nada que não seja quase perfeito. Só combina com coisas incríveis, deliciosas, amorosas, intensas. Não é palavra para qualquer hora. É para as grandes horas. Aquelas que despertam emoção, que mexem fundo com os sentidos. É para as sensações profundas.

Sensacional é Paul Bocuse e a mortadela! O mestre, o simples, a poesia!

Divirtam-se enquanto vou ali à São Paulo participar do debate “Entre estantes e panelas”, hoje às 18:00hs na agradável livraria Cultura. O tema? Ingredientes e territórios, discussão da boa eu imagino. Sensacional se o universo ajudar!

Até!

Cheiro de cafezinho recém passado…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tenho tentado me adaptar às novas ferramentas da tecnologia digital. Todos sabem que tecnologia não é bem a minha praia, sou mais do fogão à lenha do que da thermomix. Mas enfim, resolvi me aventurar, ou pelo menos, tentar experimentar. Como eu sempre digo, e agora repito, porque os registros foram perdidos mesmo que temporariamente: a vida precisa de parâmetros.

No balanço geral algumas surpresas. Acabei me adaptando melhor ao facebook, apesar de achar um cadinho – como dizia o meu avô – invasivo, é uma ferramenta muito ágil e interessante. Agora mesmo recebi uma mensagem da Vandinha Klabin, que além de ser uma das pessoas mais interessantes que conheço, foi quem me iniciou naquele mundo, dizendo que eu estava bombando por lá! Fiquei toda prosa, mas acho que ainda estou no máximo engatinhando. Mas eu chego lá, me aguardem.

Já no Twitter não estou nem nesse estágio! Não consegui entender nada muito bem ainda. E também não me cativou tanto quando o facebook. Digamos que o facebook me parece mais tupiniquim, logo, eu gosto mais! E como o mundo virou uma selva, já mandei providenciar um telefone com acesso a internet. Resolvi ceder a esse luxo que achava desnecessário. Viu como é bom abrir a mente e experimentar coisas novas de vez em quando?

Agora no fundo, no fundo, eu sou meio Carmem Miranda: “Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu.” E de cafezinho passado na hora em coador de pano! Isso a gente só encontra aqui. Não posso reclamar da vida!

Até!

Em movimento…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Talvez esse seja um dos estados mais interessantes para se estar na vida. Eu como boa geminiana que sou não abro mão dele. O estático me incomoda. A falta de adrenalina me sufoca. Gosto de movimento em tudo, nas fotos, na cozinha, na vida e principalmente nos meus pratos.

Procuro por ele todos os dias, quero a leveza do movimento impressa em cada prato que sai da nossa cozinha. Não basta criar uma apresentação e descansar. Há que se buscar diariamente o movimento nela. A cada dia as ervas estarão de uma maneira. O peixe de outra. As batatas terão formas diferentes, os chuchus também. O quiabo poderá vir recheado de “belugas”, ou não. A natureza também se pauta pelo movimento.

Por isso mesmo mudar é tão bom. Deixemos de lado as caixas por abrir e os armários por arrumar. Vamos com calma. As caixas, nós vamos abrindo aos poucos. Os armários podem esperar um pouco para ser preenchidos com as quinquilharias que vamos juntamos vida a fora. Vamos direto para a cozinha!

Vamos arrumar a cozinha! Vamos nos acostumar com os cantos, as curvas, a bancada, o piso e a luminosidade desse novo espaço. Vamos fazer um cafezinho coado em coador de pano, sentar – no chão mesmo! – e começar a escrever uma nova receita de bolo de nada para o café da tarde de amanhã.

Estamos em casa afinal!

Até!