8 de setembro de 2009

Tanto, tanto, tanto…

Filed under: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 18:11

São tantas mídias, tanta informação, tanta alegria, tanto reencontro, tantos sabores, tantas lembranças, tanta farra, tanta adrenalina, tanta descoberta, tanta labuta, tanta busca, tantos horizontes…

Foto 1 08SET

Tanta vontade, tanta paciência e tanta falta dela! Tanto conhecimento, tanta constatação, tanta emoção, tanta fonte de aprendizado, tanta lição de vida, tanta vida. Quanta vida!

Foto 2 08SET

São tantos sonhos, tantos devaneios, tanta garra, tanta vontade, tanta luta e tanta surpresa, tanta saudade! Que saudade.

Foto 3 08SET

Os dias no Rio Grande do Sul foram grandiosos e inesquecíveis em todos os sentidos…

Até!

20 de agosto de 2009

O Twitter e o forno combinado…parte II

Filed under: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 18:12

Então rumei até o hotel conversando com o simpático representante. O cara era simpático mesmo, tanto assim que, apesar do desenrolar da história eu ainda me lembro dele. Cheguei ao hotel e também fui extremamente bem recebida. Tive a sensação de que eles até poderiam estar me confundindo com algum “Chefe” de Estado, já que eu vinha do Palácio da Alvorada, mas fiquei bem quietinha.

Muito simpática a recepção, muitos sorrisos, gente cumprimentando, gerentes de A&B recepcionando. Cafezinhos, bolinhos e petit fours à vontade. Uma festa, acho até que ouvi uma bandinha de música ao longe! Depois da visita a todos os setores da cozinha: padaria, açougue, cozinha de banquete, room service, cozinha fria, cozinha quente, ufa! Cumprido todo o cerimonial, fui finalmente apresentada ao Chef, que era o único ser habitante daquela cozinha com brevê e autorização para pilotar o tal forno combinado.

Apresentações, algumas trocas de elogios e outras palavras depois, fomos caminhando até a sala climatizada especialmente construída para abrigar o tal forno. Não me lembro bem, mas tenho a sensação de que a porta era toda blindada e foi aberta por uma chave que chegou dentro de uma mala preta, trazida por um ajudante de ordens que foi acionado através de botão vermelho… Brincadeira! Agora viajei, estou me achando escritora!

Dentro da sala fomos acomodados em cadeiras confortáveis que haviam sido colocadas ali especialmente para esse momento. O Chef então vestiu uma luva de plástico – nunca entendi essa bobagem de luva de plástico na cozinha, em tempo do pobre do cozinheiro se queimar todo! – e com movimentos muito suaves começou apertar aquele monte de botões à sua frente.

Em seguida começou a descrever todas as possibilidades de cocção e as ferramentas disponíveis no tal forno combinado. Mostrou o cozimento no vapor, a temperatura controlada, a possibilidade de fritar sem usar gordura, o reaquecimento e a regeneração. Op´s! Levantei o braço como se faz na escola e perguntei: “Desculpe, o que foi que o Senhor disse?” “Regeneração”, ele respondeu calmamente. A Senhora conhece os benefícios da regeneração não conhece?

Ajeitei-me na cadeira e resolvi marcar a minha posição sem ser mal educada, afinal naquele momento todos me olhavam e avaliavam as minhas reações. Engoli a seco e disse: “É, já ouvi falar, mas confesso que não faz parte do meu vocabulário. Enfim, vamos adiante.” Aperta botão daqui, aperta botão dali. Abre porta, fecha porta. Entra cenoura, sai objeto não identificado. Injeta vapor, retira vapor. Entra camarão fresco, sai camarão seco. E por aí vai.

A apresentação estava chegando ao fim, o Chef retira as luvas ritualisticamente, enche o peito de orgulho e diz: “Chef, com todo o respeito, os seus problemas acabaram!” Olhei perplexa e pensei, será que é agora que eles vão me agarrar e empacotar para demonstrar o cozimento a vácuo? Dei um sorriso meio amarelo e aguardei o final da frase. “Todos os seus problemas acabaram Chef, a partir de agora a Senhora não precisa fazer mais nada, o forno fará tudo pela Senhora!” E sorriu. Fim da apresentação. Fim da minha paciência. Agradeci, virei de costas para o forno e saí correndo pela esplanada dos ministérios! Chegando a cozinha me ajoelhei em frente ao velho dinossauro de lastro e disse: “obrigada por me deixar fazer alguma coisa!”

Mas o que tem essa história a ver com o twitter? A verdade é que depois de uns quinze dias freqüentando o twitter e aumentando significativamente o número de pessoas que me seguem, comecei a achar que finalmente estava dominando aquela ferramenta. Ficava feliz da vida quando as pessoas diziam: “A Sudbrack está bombando no twitter, precisa ver!” Então, um dia dei de cara com uma palavra estranhíssima: retwitter! Resolvi perguntar o que era e apareceram outras duas: tweetdeck, encurtador de link! Depois de algumas explicações extremamente simpáticas, descobri que para “twittar” existem mil programas super turbinados que te possibilitam fazer barbaridades! E eu lá só com o meu teclado! Sem forno combinado!

Mas se quiserem me seguir assim mesmo: https://twitter.com/robertasudbrack, eu garanto que com um teclado e um forninho seco a gente também pode se divertir muito!

Até!

19 de agosto de 2009

O Twitter e o forno combinado…

Filed under: Cotidiano — Roberta Sudbrack @ 17:38

Eu sou uma cozinheira meio caipira, gosto de fogão à lenha, mangaritos e panelas de ferro. Na minha cozinha não tem tecnologia nos equipamentos, mas tem na cabeça! Estamos conectados com o mundo, fazemos cozinha moderna com pé no quintal e alma na lenha. Cozinha essa que nem por isso deixa de ser moderna e tecnicamente atual, disso eu tenho convicção.

Assim como tenho convicção de que, apesar de respeitar quem opta por essa linha tecnológica, prefiro seguir o meu caminho pela estrada de terra. Vai que encontro um mangarito? Na minha cozinha não entra nem forno combinado! Não gosto dessa ideia de um forno que tem a petulância de achar que vai me dizer a hora que o assado ficou pronto ou jogar vapor na cara dele quando bem entender. Sobre isso tenho uma história ótima para contar.

Eu estava quietinha na cozinha do Palácio da Alvorada, cozinha que chefiei por alguns bons anos e que na minha época era praticamente a mesma que foi utilizada para alimentar o Presidente Juscelino Kubitschek. Naquela época tínhamos um forno enorme de lastro, um dinossauro que eu particularmente adorava. Era tão grande que para alcançar o último compartimento tínhamos um banquinho de madeira feito especialmente para isso.

E um fogão que de tão antigo, não tinha mais peça de reposição, já que a fábrica nem existia mais. Mas a romântica aqui, tinha verdadeira paixão pelo “bicho” e sempre dava um jeito de recauchutar as antigas e continuar usando o “bichão”. Fizemos miséria com essa dupla, alimentamos Reis, Rainhas e Chefes de Estado e mostramos a cara do nosso Brasil com orgulho através da nossa cozinha.

Um belo dia um Senhor muito simpático, representante de uma marca respeitada de forno combinado, conseguiu me convencer a sair do meu porão, ou da minha cozinha, para ir conhecer esse tal forno. Fomos juntos a um hotel que fica muito próximo ao Palácio da Alvorada onde seria me apresentado com toda a pompa e circunstância a tal descoberta que poderia mudar a minha vida…

Amanhã continua…
Até!

17 de agosto de 2009

Simplesmente diferente!

Filed under: Cotidiano — Tags:, , — Roberta Sudbrack @ 18:38

Tudo o que se relaciona com comida a princípio me chama a atenção. De livros, como já falei aqui, a TV, DVDs e cinema, não perco nada. Sobre livros faltou falar que tenho verdadeira fascinação por livros antigos, sobretudo os grandes clássicos. Já participei até de leilão internacional com a ajuda da nossa Ana de Bruxelas quando arrematamos um livro raríssimo do grande mestre Antonin Carême http://pt.wikipedia.org/wiki/Marie-Antoine_Carême. Emocionante.

ACareme

Mas voltando à telinha, apesar da NET cismar de cortar alguns dos meus canais desde que resolvi assinar o tal NETCombo – curioso é que deveria ser o contrário, teoricamente eu ganharia mais canais! Vai entender! -, ontem encontrei por acaso o filme “Sem reservas” navegando no meio da madrugada.

SReservas

Apesar de ainda não ter visto essa adaptação justamente por ser apaixonada pelo filme original, o maravilhoso Simplesmente Martha, não iria perder essa chance na madrugada de jeito nenhum! Correndo o risco da NET descobrir que eu estava feliz e cortar o meu sinal, mas, o que seria da vida sem um pouco de aventura?

SMarta

Outro dia ouvi dizer que sou formadora de opinião. Seja lá o que for isso, deve ser muito chato. Mas se ajudasse a fazer a NET devolver os canais pelos quais eu pago, seria ótimo acreditar que eu sou mesmo…
Quanto ao filme “Sem reservas” posso resumir num só comentário se a comparação for entre ele e o original: “simplesmente diferente”. Assim a gente encerra a conversa e não fica chato para ninguém. Se ainda quiserem mais, basta comparar a massa que o charmoso italiano do original prepara na cena da cozinha, quando está tentando convencer a sobrinha de Martha a comer alguma coisa, um belo Spaghetti al sugo com basílico fresco e parmigiano. Com a preparada na mesma cena do “Sem reservas”, sem comentários.

Até!

5 de agosto de 2009

Peixe fresco…

Filed under: Cotidiano — Roberta Sudbrack @ 18:51

Todo mundo já sabe que eu mudo o “menu” do RS diariamente por respeito à natureza. Sobretudo ao mar e ao que ele me reserva diariamente. Não costumo ligar para o meu pescador e ordenar: “Quero pargo! Quero atum!” Muito pelo contrário, quem me navega é ele, o mar. Ligo e pergunto: “O que o mar nos presenteou hoje?” E com isso me movo. Sonho. Crio e construo.

É uma logística complicada devo admitir. Todos os dias um movimento diferente, um passo novo, uma nova dança. Todos os dias um grande desafio, o de se fazer merecedor dos presentes que recebemos dessa natureza. Rodrigo Oliveira, o craque lá do Mocotó http://www.mocoto.com.br outro dia me emocionou com suas palavras. Aliás, não só com as suas palavras, mas com a sua cozinha e sua alma também. Adoro esse garoto.

Pois bem, estávamos lá nos deliciando com o ambiente, a aura, os aromas e os sabores do seu restaurante e falando de farinhas… É incrível falar de farinhas! Contei para ele que eu era alucinada por uma farinha granulada lá de Goiás, uma das mais deliciosas que conheço. De repente ele chega com um saco enorme de farinha, olhos brilhando e me diz emocionado: “É essa, não é? Agora, a gente olha para ela e pensa: será que eu sou digno dela?” Adoro esse garoto.

É isso que eu penso todos os dias. Será que eu sou digna de tanta preciosidade que a natureza diariamente me presenteia? Esse também é um dos motivos pelo qual eu enlouqueço os meus fornecedores. No quesito peixe não adianta querer me empurrar o que a natureza cuspiu dias atrás. Sim, porque dias atrás não é mais presente, já é refugo. No RS não entra. Hoje eles já sabem. No inicio ainda argumentavam: “Mas Chef…” Hoje não correm o risco de levar um atum de 20kgs na cabeça. Sábios esses pescadores. Tão sábios que andam me entregando peixe vivo. E com um orgulho de pescador! Dizem para o Lucas quando não estou no restaurante na hora da entrega: “Olha, avisa para a Chef que o peixe chegou aqui nadando, hein!”

Outro dia entrei na cozinha e vi o Rafinha com o dedo enfaixado. Não me admirei já que é uma cena corriqueira. Ponto para ele que além de estar cursando a faculdade de gastronomia ainda tem a chance de exercitar diariamente a dor e a graça de ser cozinheiro. Sempre digo que cozinheiro que não se corta e não se queima é porque não cozinha. Eu me corto – feio! – e me queimo – feio! – até hoje. Mas para minha surpresa a atadura no dedo do Rafinha dessa vez não era proveniente de um corte. Era de uma mordida.

Mordida? Eu disse. “É Chef, mordida”. Ele disse. Como assim? Estamos alimentando algum animal de estimação nas imediações? Alguém trouxe o cachorro escondido para passar o dia no vestiário? Como assim? Frederico não freqüenta a casa em dia de movimento e também não costuma morder nada além de bons queijos, boas carnes e bons peixes. É, o meu cachorro adora peixe. Fresco, claro.

Mordida de quê então? “De peixe!” Todos responderam morrendo de rir. Ah, bom! Então o peixe estava fresco mesmo, meus cumprimentos ao peixeiro. Rafa, solta dois canelones de maçã, mesa 15! Rápido!

Até!

3 de agosto de 2009

Reticências…

Filed under: Cotidiano — Tags:, , — Roberta Sudbrack @ 17:56

Já disse que adoro reticências. Adoro gente que se apossa delas para criar a ilusão da possibilidade. Possibilidade é sempre possibilidade, seja ela ilusão ou não, sempre pode acontecer. Adoro gente assim. Talvez por isso tenha tanto apreço pelos e-mails. Ao contrário do que muitos pensam, podem dizer tanto, e por isso mesmo, não têm medo de se utilizar delas…

Por falar em dizer alguma coisa, gosto sempre de deixar claro que não estou aqui para julgar ou divulgar. Esse não é um espaço para isso. Digo sempre o que sinto – nua e cruamente! – muito mais do que o que penso, ainda que necessariamente os dois acabem sempre andando meio juntos ou pelo menos se encontrando em algum lugar. Por isso quando resolvo falar justamente de algum lugar, falo porque me tocou e porque senti necessidade de dividir, já que sensações genuínas estão cada vez mais difíceis de encontrar. Mas nunca só para divulgar.

Aliás, por falar nisso, ando cheia dessa história de divulgar por divulgar. Acho uma pena que os meios de comunicação – nem todos – muitas vezes se utilizem de um espaço que poderia ser tão valioso para a discussão e a reflexão, somente para a enfadonha divulgação. Estamos meio órfãos de um espaço onde o pensamento seja o ator principal e faça a diferença. O que é uma pena uma vez que a cozinha brasileira está em pleno processo de crescimento. Ideias novas e instigantes pipocando por aí. Pesquisas interessantes sejam tecnológicas ou sensitivas. Gente que tem muito a dizer, gente que tem muito a ouvir. Pensamentos distintos, crenças também. Enfim, um mundo de possibilidades sem um canal para ecoar…

Pensando bem fica difícil imaginar como uma cozinha tão rica, mas ao mesmo tempo tão desconhecida lá fora, como a brasileira – Ruth Reichl esteve no Brasil outro dia e aparentemente não entendeu nada da nossa cultura culinária, primeiro achou tudo com cheiro de pão de queijo. Depois reduziu tudo a caipirinha. – possa dar o seu recado estando sufocada como está. Os grandes movimentos sempre tiveram ao seu lado canais que possibilitassem uma maior expressão, ingrediente fundamental numa receita dessas.

Quem há algum tempo imaginava o que pensavam e esperavam os espanhóis da sua cozinha? Uma coisa é certa, se os canais de comunicação não tivessem dado o devido suporte e prestado mais atenção à necessidade que essa cozinha – que aparentemente já havia dito tudo – tinha em se expressar novamente e com isso praticamente renascer e conquistar o mundo, nada disso teria acontecido.

Enfim, vamos remando e acreditando que algum dia os meios de comunicação possam se interessar por coisas aparentemente tão insignificantes quanto a magnitude de sabor e aroma concentrada na casca de um singelo mangarito! Tubérculo genuinamente brasileiro que está praticamente em extinção e que me foi apresentado com tanto amor pela Chef Mara Sales, uma das nossas mais incansáveis e geniais pesquisadoras brasileiras. E que a gente possa abrir o jornal e encontrar mais discussões inteligentes, trocas e debates sobre o potencial da cozinha moderna brasileira e a sua vontade de romper barreiras e também ganhar o mundo.

Enquanto isso não acontece, vamos afogando as nossas angústias e a sensação de que estamos nadando contra a correnteza, numa cerveja Damm geladíssima no ótimo bar de tapas Venga! http://www.venga.com.br/ que abriu a alguns meses no Leblon e já se tornou um dos meus restaurantes de bairro preferidos. Daqueles que a gente nutre sentimentos, torce para dar certo e desde o momento em que deixa o lugar, já está com vontade de voltar! Sensações genuínas…

Até!

25 de julho de 2009

Promessas…

Filed under: Cotidiano — Roberta Sudbrack @ 13:35

Para tentar cumprir a promessa de voltar a escrever diariamente, o que, diga-se de passagem, é uma grande loucura! Quem foi que prometeu isso mesmo? Pensem bem, como é que eu vou dar conta de uma equipe carente e dependente, um cachorro dominador, uma assessoria feroz, clientes esfomeados e ainda escrever todos os dias?

A malhação já está atrasada. Minha personal trainer nem atende mais os meus telefonemas. O livro novo está no forno, mas à baixa temperatura, caseira, claro! Nada de cozimentos a vácuo. Os armários continuam uma bagunça, mas a gaveta de facas está impecável! A coleção 2009 saiu e anda dando o que falar, destaque para o consommé de chocolate amargo, pele de leite e rapadura. E ao lagostim em lâminas de chuchu e leite de amendoim, claro, que já virou patrimônio cultural da casinha laranja à beira do canal.

E agora estamos de cozinha nova por aqui. É verdade que não foi todo mundo que conseguiu nos localizar ainda. Outro dia recebi um amável telefonema com um pedido de socorro de uma amiga que mora em Bucareste, a Sônia, porque não conseguia nos achar de jeito nenhum. Aliás, fala aí Sônia, cai logo nessa panela! Ainda assim, meio incógnitos, andamos estremecendo as estruturas dos comentários.

Diante de tanta energia concentrada como é que eu vou deixar de cumprir essa enlouquecida promessa de escrever mais? Mesmo quando desanimo ainda existe a possibilidade de desabafar. Quem pode querer mais?

Até!

23 de julho de 2009

A batalha

Filed under: Cotidiano — Tags:, , — Roberta Sudbrack @ 18:01

Batalhar é palavra que deveria ser considerada brasileira. Não há brasileiro que não conheça o seu real e genuíno significado. Não é todo mundo que sabe, mas já vendi cachorro quente numa carrocinha pelas ruas de Brasília. Não vou dizer que foram tempos glamorosos ou que fazem parte de um conto de fadas. Nada disso, foi uma pauleira desgraçada. Uma batalha diária. Passei anos sem poder enxergar ou sentir o cheiro de cachorro quente. Hoje em dia troco muita iguaria, por um bem preparado, com o molho de tomates da minha avó de preferência. Que, aliás, foi quem preparou religiosamente, todos os dias, o molho do “Canil quente & Cia”, nome da minha carrocinha!

O curioso é que, ao contrário do que muitos possam imaginar, a batalha continua. Alguns degraus foram deixados para trás, sempre inundados de suor, mas foram. Outros ainda me olham de cima e nem sempre tenho muita certeza se estão sorrindo à minha espera, ou rindo da minha cara. Tem horas que bate o cansaço. Os olhos inevitavelmente ficam mareados. As pernas ficam bambas e a gente chega a duvidar se terá forças para encarar mais degraus. Ou pelo menos atingir alguns para tirar a dúvida se os pestinhas estavam rindo ou sorrindo para nós.

Quantos degraus ainda restarão pela frente? Muitos. Infinitos. Eles simplesmente não terminam. Deve ser porque os sonhos sem eles são reduzidos a simples utopias. E isso os sonhadores não admitem.

Até!

22 de julho de 2009

Copiar ou referenciar?

Filed under: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 18:06

Não resisti ao entrar hoje no blog da Roberta Malta – que tem um link aí ao lado e é um dos meus favoritos – e dar de cara com uma das fotos que mais adoro! Beta, me perdoe, mas tive que te copiar. Ou seria me influenciar pelo seu bom gosto?

dama_e_vagabundo

Será que essa história de cópia na verdade muitas vezes não está mesmo ligada a uma referência? Uma influência?

É claro que não é agradável abrir o cardápio de um restaurante e dar de cara com um prato seu. Não é, e não adianta me dizer o contrário. Mas com o passar do tempo a gente vai chegando à conclusão de que copiar é fácil e banal. Agora referenciar, é para poucos. Valeu Beta!

Até!

20 de julho de 2009

Dia do amigo?

Filed under: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 18:30

Mas que coisa mais estranha. Amigo não é para todas as horas? Na cozinha somos amigos até debaixo d´água. E nas tempestades também! Quando a coisa aperta e você não tem certeza do que vai acontecer, mas sabe que precisa reverter seja lá o que for, nada melhor do que ter amigos em quem se apoiar. Nenhuma outra hipótese nesse caso poderá te salvar. Não há botes salva vidas e muito menos coletes à sua disposição.

E, afinal, quem é esse tal de Chef sem a sua equipe? Eu sempre escolho a minha equipe pelo jeito de andar de cada um e pelo olhar. Não adianta chegar com um currículo recheado de experiências e coisas mais. Em nada me impressiona. No primeiro contato o que me importa é olhar nos olhos. No segundo observar como o seu corpo desajeitado – nos primeiros dias todos são! – se move pela cozinha. É a partir desses dois aspectos aparentemente pouco importantes que passo a enxergar, ou não, o potencial de cada um.

Depois disso vem a convivência, a troca, a intimidade, a naturalidade e inevitavelmente a amizade. Tenho uma relação muito próxima com a minha equipe, seria impossível dividir o espaço sagrado da cozinha se não fosse assim. Sei que existem cozinhas que são diferentes e funcionam muito bem, obrigada. Mas isso depende do grau de envolvimento de cada um e na panela dos outros, amigos ou não, eu não meto a colher!

De qualquer maneira, acho muito estranha essa história de dia do amigo. Quero os meus todos os dias, dentro e fora da cozinha, sem precisar de um dia para lembrar o quanto são importantes e imprescindíveis na minha vida. Porque cozinhar e fazer amigos são coisas muito parecidas e justamente por isso, para todos os dias!

Até!

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