20 de agosto de 2010

Sou eu, ou o mundo gastronômico que está confuso?

Filed under: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 17:25

É fato que a cozinha suga, no bom sentido, que fique claro, quase todas as minhas energias. E que fique claro também que faço isso não por esporte, mas por escolha de vida. Mas de fato ando meio fora de forma e para completar, uma queimadura – que não posso dizer seja inesperada, porque nessa profissão estamos sempre esperando por elas – me tirou um pouco mais dessa energia nesses últimos dias. Rompeu a pele e algumas estruturas dentro de mim. Tem horas que a gente brinca tanto, se fantasia tanto todos os dias – tem amigos meus que nunca me viram com outra roupa senão a de cozinheiro! – que acaba cometendo a grande besteira de acreditar que é super herói!

Passado o susto algumas coisas dentro de mim continuam firmes. Outras, bem, tão logo eu chegue a uma conclusão emitirei um parecer em três vias e enviarei a amarela para vocês e a verde para o twitter. Ficarei com a branca como souvenir.

Dentre as que continuam firmes, felizmente estão as minhas convicções. Algumas um tanto quanto ultrapassadas para um mundo gastronômico que ainda se deixa impressionar por espumas, receitas sem estrutura, fumaças alucinógenas e shows de pirotecnia que muitos insistem em acreditar serem necessários para uma experiência completa. Experiência completa? E isso existe? O mundo moderno ainda emite a via amarela que nos autoriza viver isso?

Emitindo ou não, estamos sempre à procura dela. Se vamos encontrá-la é uma coisa, se vamos nos permitir vivê-las é outra bem diferente. Afinal estamos à procura de quê? Temos fome de quê?

Se me perguntarem sempre vou responder que tenho fome de comida como a da Casa da Li (Rua Aspicuelta 23, Vila Madalena, não sei por que não tem telefone, né Li?). Comida feita por gente de verdade, com alma de cozinheiro, amor incondicional pela cozinha e o suor bom da profissão. Comida que dispensa explicação e muito menos apresentação, é olhar, vibrar e não esquecer. Essa é a minha experiência. Essa é a minha busca. Onde quer que haja um lugar como a Casa da Li, seja em São Paulo, no interior de Minas Gerais ou Pantelleria na Sicília, eu vou atrás com a curiosidade e a alegria ingênua de uma criança. È essa curiosidade, essa alegria e essa ingenuidade, que me proporcionam a verdadeira experiência sem precisar do aval da via amarela!

Até!

Casa da Li

Rua Aspicuelta 23, Vila Madalena – São Paulo

4 de agosto de 2010

Minha alma canta…

Filed under: Cotidiano — Tags:, — Roberta Sudbrack @ 18:25

Essa história eu conto e reconto e nunca mudo o final. Gosto de finais verdadeiros. Mais do que os felizes, gosto dos verdadeiros. Quem primeiro me fez essa pergunta numa noite agitada na casinha laranja à beira do canal foi o querido Walter Salles: “Roberta, mas porque o Rio de Janeiro?” Antes disso eu já sofria com algumas colocações que nunca me pareceram razoáveis, mais do que isso, sempre me irritaram e muito: “O seu restaurante é fantástico! Pena que seja no Rio de Janeiro, se fosse em São Paulo!”

Quando deixei a chefia da cozinha do Palácio da Alvorada em Brasília tinha dois destinos a escolher: São Paulo ou Rio de Janeiro. De São Paulo vieram alguns chamados, duas ou três oportunidades muito boas. Do Rio de Janeiro nenhuma. Vou para o Rio de Janeiro! Gosto de desafios! Gosto de romper barreiras. Gosto muito de acreditar no que ninguém acredita. Já faz algum tempo que o discurso mudou para: “O seu restaurante é fantástico! Quando é que você vai abrir um em São Paulo?”

Alfaiataria não se replica. Alfaiataria se vive diariamente. Para fazer alfaiataria há que se acreditar no sonho! Tenho ouvido falar que muitos restaurantes de São Paulo estão pensando em abrir filiais no Rio de Janeiro muito provavelmente por conta da quantidade de atividades que a cidade sediará num futuro próximo. Eu fui uma das grandes entusiastas da chegada do grupo Fasano no Rio de Janeiro. Primeiro porque a cidade merecia uma marca de excelência como a deles. Mas acima de tudo porque o grupo decidiu vir para o Rio quando poucos olhavam para ele com o olhar da credibilidade. O grupo Fasano acreditou no Rio. Amou o Rio como ele merece. Outros grupos vieram depois nessa mesma sintonia e agregaram o seu valor a essa cidade singular, entre eles o pessoal da Pizzaria Braz, fantásticos e profissionais.

Assim como alfaiataria não se replica, amor não se inventa. Que venham grandes e competentes marcas. Que venham cozinheiros apaixonados pelo seu ofício. Que venham amantes a moda antiga, pois o Rio é daqueles que ainda manda flores!

Até!

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