Eu detesto essa história de retrospectiva, tanto quanto detesto ser considerada hors concours em qualquer coisa. Já falei isso aqui mais de mil vezes. Gosto da batalha! Do suor por vezes prazeroso, noutras exaustivo e até doloroso da cozinha. Gosto da convivência com a minha equipe, dos momentos de alegria e euforia e até daqueles que me levam ao nocaute técnico. Gosto do dia a dia, das verduras novas que chegam. Das surpresas que o mar e o pescador me reservam. Gosto da humanidade que está impressa, muitas vezes com suor, noutras com sangue, nas coisas simples do dia a dia de um cozinheiro.
Não gosto de ficar olhando para trás se não for para refletir e agregar um pouco da sabedoria à cozinha de hoje. Olhar para trás em busca da elegância perdida, do sabor autêntico, da verdade nua e crua, vale. Clarice Lispector disse magestosamente: “Eu não: quero uma verdade inventada…” Nem eu! Eu quero é lutar diariamente na minha cozinha, olho no olho, braços, mãos e coração unidos com a minha equipe. Sorrir diante do peixe que chegou de madrugada na cozinha. Vibrar com as ervas frescas que vieram do La Palma de Brasília e me fizeram gargalhar numa felicidade infantil incontrolável! Sofrer mais em busca da excelência. Será que é possível? Não sei? Veremos em 2010! Eu só quero é ser feliz…viver tranquilamente na cozinha onde eu nasci…Vai Fernandinha Abreu, agora é com você! Todo mundo…
Os subtitles são com vocês…

























Até!