30 de dezembro de 2009

“Cozintrospectiva 2009”

Arquivado em: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 15:14

Eu detesto essa história de retrospectiva, tanto quanto detesto ser considerada hors concours em qualquer coisa. Já falei isso aqui mais de mil vezes. Gosto da batalha! Do suor por vezes prazeroso, noutras exaustivo e até doloroso da cozinha. Gosto da convivência com a minha equipe, dos momentos de alegria e euforia e até daqueles que me levam ao nocaute técnico. Gosto do dia a dia, das verduras novas que chegam. Das surpresas que o  mar e o pescador me reservam. Gosto da humanidade que está impressa, muitas vezes com suor, noutras com sangue, nas coisas simples do dia a dia de um cozinheiro.

Não gosto de ficar olhando para trás se não for para refletir e agregar um pouco da sabedoria à cozinha de hoje. Olhar para trás em busca da elegância perdida, do sabor autêntico, da verdade nua e crua, vale. Clarice Lispector disse magestosamente: “Eu não: quero uma verdade inventada…” Nem eu! Eu quero é lutar diariamente na minha cozinha, olho no olho, braços, mãos e coração unidos com a minha equipe. Sorrir diante do peixe que chegou de madrugada na cozinha. Vibrar com as ervas frescas que vieram do La Palma de Brasília e me fizeram gargalhar numa felicidade infantil incontrolável! Sofrer mais em busca da excelência. Será que é possível? Não sei? Veremos em 2010! Eu só quero é ser feliz…viver tranquilamente na cozinha onde eu nasci…Vai Fernandinha Abreu, agora é com você! Todo mundo…

Os subtitles são com vocês…

Até!

23 de dezembro de 2009

E então…

Arquivado em: Cotidiano — Tags: — Roberta Sudbrack @ 18:38

Então é natal. E aí? O que muda? Continuo trabalhando feito uma condenada. Correndo de um lado para o outro, me preocupando com o frescor do peixe, da verdura, das ervas. Continuo batendo ponto regularmente na minha bancada de comandas, gritando com os meus cozinheiros até levá-los à loucura – quem resiste cria casco e se torna forte! – afinal, para que servem os Chefs senão para isso?

Continuo pensando nas receitas mesmo quando pego no sono…Essa noite sonhei com bananas que prometiam me assassinar caso não fossem o ingrediente escolhido para os nossos estudos em 2010. Será? Ora, não me venham com essa suas…bananas! Vivo no Rio de Janeiro, paro em sinais na madrugada, caminho nas ruas, enfrento cobras e lagartos! Vou lá ter medo de…bananas?

Mas acabei me perguntando, por que será que as pobres bananas não são lembradas no natal? Esse sonho me fez pensar mais atentamente nesses “seres” chamados…bananas! Por que será que nem sempre estão nos menus dos restaurantes? Tirando alguns casos de sucesso e tradição como o moderníssimo cherne com bananas da Avó do Claude Troisgros, que está no menu da Maison Troisgros há anos. Porque será que as bananas só são lembradas quando o assunto é doce em calda? Alguém já parou para pensar na casca? Nas sementes? Na gelatina natural das bananas? E porque não pensar numa rabanada de bananas nesse natal falando nisso?

Nem sei por que me enveredei por esse bananal? Provavelmente no final do sonho encanto discutia com as bananas assassinas escorreguei numa casca. Só pode ser. Quanto ao ingrediente do ano, nada confirmado até agora. Ainda estamos em fase de reflexão. E por falar nela, já que é natal e o sentido do mesmo – pelo menos na minha humilde opinião de cozinheira – anda se perdendo a cada dia, porque não dar de presente a ideia da reflexão? Pacotinhos, bem bonitinhos, recheados de doce de banana – de novo, Chef? – e um bilhetinho com o seguinte escrito: Refletir, usar sem moderação!

Sobre o que quiser! Tem presente mais democrático do que esse? Sobre o que der vontade! Do jeito que quiser. Dentro do carro, do ônibus, do metrô, na loucura da cozinha! De ipod, sem ipod. Com um livro, sem um livro. Bebendo um bom vinho. Aí é perigoso, porque reflexão com doses de álcool a mais pode virar papo cabeça daqueles bem chatos. E isso no natal ou fora dele é um saco. Mas refletir sobre o que passou, sobre o que se construiu ou vai construir vale. Refletir de pernas para o ar numa praia deserta…pera aí, isso não é mais reflexão, já virou sonho de consumo! Com bananas? Será?

Um natal repleto de reflexão para vocês que fazem da minha vida algo mais saboroso a cada ano que passa!

Até!

14 de dezembro de 2009

Eu sou um outro…

Arquivado em: Cotidiano — Tags:, , — Roberta Sudbrack @ 17:34

Rimbaud ficaria surpreso em saber o quanto a sua poesia é atual. Hoje em dia aparentemente ninguém é mais ninguém. Eu adoro internet, guardadas as proporções. Nunca entrei num chat, por exemplo, acho literalmente uma chatice! Também tenho horror de MSN. Certa vez por insistência do pessoal que trabalha comigo no backstage, instalei no meu computador. Na primeira hora falei tranquilamente com um, depois com outro. De repente surgiu um assunto urgente e todo mundo começou a falar ao mesmo tempo. Uma neurose coletiva! Saí e nunca mais voltei.

Apesar disso me dou muito bem com e-mail, acho uma comunicação afetiva inclusive. Adoro blogs. Me relaciono bem com o Facebook e o Twitter, meu vício. Outro dia até li que sou uma das Chefs mais antenadas com a comunicação moderna. Quem diria! Eu que nem forno combinado uso… Mas tem uma coisa que me aborrece e muito. Gente que finge ser quem não é sem a mesma poesia de Rimbaud!

Outro dia descobri que o Veríssimo no twitter não é o Veríssimo! O Heston Blumenthal não era o Heston Blumenthal, mas um chato sem igual. Esse dava até para sacar que não era quem dizia ser. Mas o Veríssimo! Sabe aqueles caras que você tem orgulho de seguir? O Veríssimo fazia parte dessa lista. A Calcanhotto eu não sei se é a Calcanhotto! Mandei um e-mail para ela perguntando: “É você ou qualquer coisa de intermédio?” Outro dia disseram que eu não era eu! Que era impossível cozinhar e twittar como eu twitto…Só me faltava essa, agora nem sei mais. Será que eu sou um outro?

Até!

3 de dezembro de 2009

Os jantares que não dei…

Arquivado em: Sem categoria — Roberta Sudbrack @ 17:10

Cheia de novidades! Camelos, desertos, Bocuses e coisas mais. E tempo? Como valorizo esse senhor! Cada vez mais, cada minuto mais. Aproveitei cada segundo dessa escapada e fui imensamente feliz. Alguma coisa pode ser mais importante nessa vida? Acho que cheguei à conclusão de que não, definitivamente não tem nada mais importante na vida do que cozinhar, viajar e ser feliz! Dito isso, mesmo sem tempo estou aqui. Feliz!

Ainda não vai dar para contar tudo como gostaria, mas não poderia deixar de voltar nesse assunto: “Os jantares que não dei” Tema fascinante do livro da não menos fascinante Betina Orrico, que também foi tema de uma matéria, da qual tive a honra de participar ao lado da minha musa inspiradora Mari Hirata para a Folha de São Paulo: http://eaturl.info/2w4g Sempre que encontro a Mari tenho vontade de fazer uma reverência. Justa e merecida, diga-se de passagem, e faço!

A matéria ficou ótima, interessantíssima, mas, como hoje já entendo melhor dessa loucura que atende pelo nome de redação! Imagino os porquês de não terem incluído, não só toda a minha lista de convidados, como o menu que gostaria de ter servido à Antonin Carême cercada por essas pessoas, numa mesa única, sem toalha, embaixo de uma árvore bem gorda. Pois bem meus caros, e não é para isso que os blogs servem? Segue na íntegra toda a concepção do jantar, assim como o menu e a lista de convidados! Em primeiríssima mão. Demorei mas voltei com tudo, me aguardem!

Entrevista Folha de São Paulo

Pauta: Os jantares que não dei

Homenageado seria: Antonin Carême

Convidados seriam:

Claude Troisgros

Laurent Suadeau

Emanuel Bassoleil

Mara Salles

Ana Soares

Neide Rigo

Benny Novak

Carlos Doria

Janaína Rueda

Eliane André

Rodrigo Oliveira

Jonathan Nossiter

Renato Machado

Boni

Ambientação: Ao ar livre, uma mesa grande de preferência embaixo de alguma árvore.

Vinhos: Todos de terroir escolhidos pelo Jonathan Nossiter.

Menu

Tartare de abóbora

Filé curado em marmelada de maxixe

Quiabo defumado em camarão semicozido

Lagostim em lâminas de chuchu e leite de amendoim

Ravióli amanteigado de mangarito em três texturas

Porquinho de leite assado em baixa temperatura caseira

Chantilly de batatas

Tortinha de pêra e tapioca

Até!

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