Nossa! Estou há dias empurrando a carrocinha na tentativa de chegar até aqui para terminar de contar a história. Mas de repente entendi que essa história não tem fim. A minha vida é a continuação. Talvez por isso mesmo o cachorro quente esteja sempre me rodeando. Outro dia foi no MAM, passamos quatro dias por lá vendendo o SudDog. Foi uma experiência engraçada e cansativa, mas prazerosa.
Naquele tempo, lá atrás, com a carrocinha e o molho da avó Iracema, a coisa foi bem mais complicada. De qualquer maneira não gosto de ficar batendo nas teclas duras da vida. Prefiro as macias. Foi uma experiência dolorosa, mas os calos hoje nos ajudam a viver mais intensamente todas as coisas boas que conquistamos de lá para cá.
Minha avó foi uma guerreira naquela época. Preparava diariamente o molho de tomate que seria servido à noite. Descascava, cortava e refogava sozinha uma caixa daquelas de 30kgs de tomate diariamente. A casa só cheirava a isso. Dia após dia. À tarde me ajudava a carregar as caixas até o carro e de madrugada estava lá acordada me esperando. Hoje, lembro disso tudo com alegria. Não vejo porque encarar de outra maneira. Fácil não foi. Mas valeu.
Semana passada eu e a equipe da casinha laranja à beira do canal ficamos radiantes com a conquista do prêmio de melhor restaurante de alta gastronomia pela Revista Veja. Como sempre faço, assim que recebi o prêmio corri para o restaurante para entregá-lo à minha equipe e abraçar um a um. Normalmente depois disso, levo o prêmio para a casa, para que a minha avó possa ver também. Mas nesse dia estávamos tão felizes que acabei deixando na cozinha. Não tive coragem de tirar das mãos deles.
No outro dia quando acordei fui contar a novidade para a minha avó, como sempre ela se emocionou e disse: “Puxa, isso não é pouca coisa! E quanta coisa você já passou para chegar até aqui.” Me desculpei por não ter trazido o prêmio dessa vez para que ela pudesse ver e ela me respondeu: “Se todo o mal do mundo fosse esse…”
Pois é, to be continue…sempre!
Até!