Arquivo de outubro de 2009

Cozinhas não se abandonam…

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não, eu não abandonei essa cozinha! Cozinhas não se abandonam. Cozinhas são templos. Templos são sagrados. Uma vez conquistada a cozinha, seus cantinhos explorados e suas manias entendidas, a gente passa a fazer parte dela. Como os azulejos, ela precisa de nós. Dela precisamos nós.

Quando se tem outras cozinhas, outros templos para meditar e se entregar, por vezes, um deles pode ficar com ciúmes. Acontece aqui em casa também! Entro nela depois do almoço, silenciosamente enquanto ela dorme. É um dos momentos mais gostosos para contemplá-la. Naquele silêncio nos entendemos, somos uma da outra, não importa o tempo que tivermos uma para a outra.

É como no amor!

Até!

Coisa de louco!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

É sempre a mesma história, o final do ano começa a se aproximar, nessa etapa do caminho a gente já está mais para lá do que para cá, mas tudo resolve acontecer ao mesmo tempo. É também nessa hora que os motores começam a falhar. Meu subchef teve que entrar de férias, forçadas, porque já não conseguia dizer coisa com coisa. Vira e mexe vejo alguém quase fraquejando e lá vou eu levantar a moral da tropa. É sempre um momento muito intenso, de emoções sem fim à exaustão. Imaginem a nossa situação  psicológica com sucessão de acontecimentos como os que tivemos nas últimas semanas…

Ganhar dois dos prêmios mais importantes da gastronomia brasileira: Chef do ano, pelo guia 4 rodas e melhor restaurante de alta gastronomia, pela Veja Rio.

Receber a diva do cinema Jeanne Moureau, assistir a nossa comida emocioná-la a ponto de ver lágrimas nos seus olhos quando foi visitar a cozinha. E  confessar que aquele era um dos lugares mais sagrados do mundo para ela, pois o seu pai a vida inteira teve restaurante. Não bastasse isso, dias depois chego ao restaurante e encontro uma cartinha escrita por ela de próprio punho…

Ver os meus pratos finalmente serem fotografados pelas lentes de Nana Moraes num ensaio emocionante.

Cozinhar com as cozinheiras das comunidades da Cidade Alta e do Cordovil no simpósio Rio que cidade é essa? Que aconteceu na UFRJ http://eaturl.info/rg6n Energia boa concentrada. A emoção da doação não tem igual…

Ter a honra, o privilégio e a alegria de preparar o jantar de comemoração dos 80 anos de Fernanda Montenegro…não há o que dizer.

Chego ao fim do post exaurida, mas me lembro que hoje a casa está cheia e ainda tenho muito a fazer! Coisa de louco essa vida de cozinheiro…

Até!

Minha vida de cachorros… A continuação…

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nossa! Estou há dias empurrando a carrocinha na tentativa de chegar até aqui para terminar de contar a história. Mas de repente entendi que essa história não tem fim. A minha vida é a continuação. Talvez por isso mesmo o cachorro quente esteja sempre me rodeando. Outro dia foi no MAM, passamos quatro dias por lá vendendo o SudDog. Foi uma experiência engraçada e cansativa, mas prazerosa.

Naquele tempo, lá atrás, com a carrocinha e o molho da avó Iracema, a coisa foi bem mais complicada. De qualquer maneira não gosto de ficar batendo nas teclas duras da vida. Prefiro as macias. Foi uma experiência dolorosa, mas os calos hoje nos ajudam a viver mais intensamente todas as coisas boas que conquistamos de lá para cá.

Minha avó foi uma guerreira naquela época. Preparava diariamente o molho de tomate que seria servido à noite. Descascava, cortava e refogava sozinha uma caixa daquelas de 30kgs de tomate diariamente. A casa só cheirava a isso. Dia após dia. À tarde me ajudava a carregar as caixas até o carro e de madrugada estava lá acordada me esperando. Hoje, lembro disso tudo com alegria. Não vejo porque encarar de outra maneira. Fácil não foi. Mas valeu.

Semana passada eu e a equipe da casinha laranja à beira do canal ficamos radiantes com a conquista do prêmio de melhor restaurante de alta gastronomia pela Revista Veja. Como sempre faço, assim que recebi o prêmio corri para o restaurante para entregá-lo à minha equipe e abraçar um a um. Normalmente depois disso, levo o prêmio para a casa, para que a minha avó possa ver também. Mas nesse dia estávamos tão felizes que acabei deixando na cozinha. Não tive coragem de tirar das mãos deles.

No outro dia quando acordei fui contar a novidade para a minha avó, como sempre ela se emocionou e disse: “Puxa, isso não é pouca coisa! E quanta coisa você já passou para chegar até aqui.” Me desculpei por não ter trazido o prêmio dessa vez para que ela pudesse ver e ela me respondeu: “Se todo o mal do mundo fosse esse…”

Pois é, to be continue…sempre!

Até!

Minha vida de cachorros…o meio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carrocinha em mãos era hora de pensar nos ingredientes. Enlouqueci um padeiro em busca do pão perfeito. Depois de semanas de testes, ele já não aguentava mais me ver. Depois de muito conversar e ponderar, ele já exausto me disse: “Eu não entendo, esse pão serve para todo mundo! Porque para a senhora não?” No dia em que conseguiu chegar a um resultado que lhe pareceu estar perto do que eu gostaria, ele esperou por mim na padaria na hora marcada com um cesto de pães quentinhos e um sorriso no rosto. Aparentemente fiz uma boa ação, ele descobriu que, mais do que um simples padeiro, era um artesão. Ficamos amigos.

Primeira etapa solucionada, ainda faltava o miolo da coisa: a salsicha. Rodei todos os frigoríficos de Brasília e arredores. Era um entra e sai de câmeras frigoríficas, prova salsicha crua, salsicha cozida, salsicha fervida, salsicha assada, e nada. Fui descobrir a escolhida lá pelas bandas do Rio Grande do Sul depois de muita procura e exigências feitas ao açougueiro.  Pão e salsicha na mão era hora de acionar o molho de família da avó Iracema!

To be continue…

Até!

Minha vida de cachorros…

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Antes que ele me colocasse de lá para correr, estiquei os meus ouvidos – que tem certo radar jornalístico – e escutei a sua mulher fazendo uma cotação por telefone para a compra de um freezer. Perguntei imediatamente: “Sua mulher quer um freezer novo?” Ele me olhou assustado e retrucou: “Você é médium ou coisa parecida?”

Tudo acertado. Combinei que sairia dali e iria direto a uma loja de departamentos para comprar em suaves prestações o freezer dos sonhos da mulher dele. No dia seguinte mandei entregar e a partir daí eu e ele ficamos mais próximos. Primeiro porque acredito que ele gostou da minha perseverança. E depois porque eu fazia questão de visitar a oficina diariamente para ver o andamento do projeto, afinal, paguei adiantado!

Depois de alguns dias, antes do prazo, diga-se de passagem, ele me entregou a carrocinha. Foi um misto de emoções, a vida não estava fácil naqueles dias. Não sei se comemorei ou se simplesmente voltei a respirar, já que há alguns meses não tinha mais esse hábito…

To be continue…

Até!

Minha vida de cachorros…

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mais uma novela! Essa tem início há mais de quinze anos numa Brasília que ainda respirava rock and roll embalada por Legião Urbana, Capital Inicial e Finis Africae. Alguém se lembra do Finis Africae? Eu que não vivo sem música levava comigo um pequeno gravador, sim, era a época dos cassetes! Como era romântico gravar cassetes. E como era romântico ganhar um cassete!  Romance na certa.

Época de escola, encontros da juventude, farra no Colégio Santa Dorotéia e de handebol… Mas no meio de toda essa farra a vida me pregou uma peça e lá fui eu me virar. Resolvi vender cachorro quente, muito provavelmente sob forte inspiração americana. Naquele tempo a gente ainda se referenciava lá para algumas coisas. Hoje não sobrou nada. Enfim, precisava, antes de mais nada, de uma carrocinha. Elementar meu caro Watson.

“Muito bem”, me disse o artesão de carrocinhas: “custa tanto”. Olhei para a cara dele e comecei a rir de nervoso. Ele me perguntou: “O que foi você não tem todo o dinheiro? Posso facilitar uma parte.” Respondi de pronto: “Eu não tenho nenhuma parte!” Agora quem ria compulsivamente era ele. A cena ficou tensa…

To be continue…

Até!

Ps: Por falar em cachorro quente de 2 a 4 de outubro a SudEquipe estará no MAM preparando o SudDog! Não percam…edição limitada!